A DISTOPIA É AGORA

Terminei hoje ‘Admirável mundo novo’, o último livro que faltava para concluir a trilogia clássica distópica junto de ‘1984’ e ‘Fahrenheit 451’. Obviamente falarei de todos no canal, resenharei e falarei de semelhanças e diferenças. Mas enquanto isso eu resolvi vir aqui falar um pouco do que identifiquei e do que eu acho sobre todas essas histórias e nosso mundo.

Assim que terminei ‘Admirável mundo novo’ comecei a pensar nas semelhanças com nossa sociedade atual. Como nós vivemos em um mundo distópico e retrógrado sem sequer perceber e como não precisamos de nenhum estado totalitário para andarmos para trás e vivermos de mentiras.

Vou explicar.

Não estamos queimando livros, nem temos bombeiros que ateiam fogo. Mas na verdade estamos sim queimando livros com uma literatura cada vez mais fútil e superficial, onde o interesse vai para o mais fácil e o mais falado. Queimamos todos os dias obras geniais como essas três para dar lugar a distopias adolescentes, romances sofridos e histórias que não querem dizer absolutamente nada.

Não precisamos de um ‘Grande irmão’ para nos vigiar. A sociedade faz isso e cobra comportamentos X ou Y, quer saber se você namora, com quem namora e por que namora. Se você é feliz e por que você não está mostrando por aí o quanto é feliz. Assim como no universo de Huxley a vida é cada vez mais em comunidade e de aparências, você precisa ser feliz, você precisa estar feliz e você precisa mostrar como é feliz. Afinal qual o sentido de uma vida privada?

A solidão é cada vez mais estranha. Ninguém gosta de ficar só, de ficar em silêncio. Há televisões por toda parte enchendo os ambientes, os bares, os consultórios para o caso de o assunto acabar, ou para não deixar o ambiente quieto demais, vazio demais.

Os celulares e as redes sociais são nosso soma. Quer esquecer da vida? Fingir que nada está acontecendo? Fugir de tudo? Uma hora de facebook e sua alienação está feita. A internet é a nova droga, que consome, que distrai e que é acessível.

No meio disso tudo há poucos Winstons, poucos Montags, que sentem o desequilíbrio. O que há de sobra são Bernard Marxs, que se revoltam quando a situação favorece e quando a revolta diz respeito apenas a si mesmo. Quando as coisas não vão bem para o indivíduo, quando não há a atenção desejada ou os louros esperados. Ai há revolta e desconforto.

O que vemos de sobra também são diversas Mildreds, tontas, fúteis, superficiais. Que se importam única e exclusivamente com a aparência e a opinião alheia. Que dependem da aprovação externa para cada passo que será dado na vida.

Tudo isso coberto de uma fina camada de falsa opinião, de pseudo intelectualidade e interesse, afinal todo mundo é bom demais e todos precisamos nos ater aos problemas do último momento.

Não precisamos de um Grande Irmão, de castas de Alfas, Betas e Gamas, nem de bombeiros autoritários. A sociedade vai mal sozinha e anda criando as próprias proibições. Na verdade já vivemos no ‘Comunidade, identidade, estabilidade’ e ‘Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força’. Principalmente a parte do ‘ignorância é força’.

Como dizia Raul Seixas, ‘pena não ser burro, não sofria tanto’.

#oultimojuro

🙂

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O véuA Biblioteca do Mediterrâneo

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