ANNA K, CADÊ VOCÊ?

Preciso desabar: estou revoltada e pasma com a situação das livrarias-bibliotecas-sebos de Ribeirão.

Vou contar a história. Mês que vem meu clube do livro vai discutir ‘Anna Kariênina’ (é aberto e de graça para quem quiser!) e então comecei a ir atrás do meu exemplar.

QUE ODISSÉIA.

Queria muito um da finada Cosac Naify, traduzido direto do russo, arte lindíssima, enfim, uma joia. Está esgotado, o mais barato que encontrei foi R$200,00, nesse momento de bolsista em que vivo, é impossível.

Comecei a buscar opções para mim e meu grupo nas bibliotecas de Ribeirão e livrarias. O resultado é deprimente.

Fui na Biblioteca Altino Arantes, apenas um exemplar, já emprestado e com fila de espera. Liguei na Biblioteca Padre Euclides, a pessoa que me atendeu não quis dizer se havia o livro no acervo, me falou que essa informação só por email (custava dizer ‘sim, tem’ ou ‘não tem’ apenas?). Fui nos sebos, nada. Em um apenas o volume dois, nos outros apenas um exemplar que já havia sido vendido. Ribeirão tem 3 sebos.

E AÍ? COMO ACHAR ESSE LIVRO?

Comecei a ligar e ir nas livrarias para ver quanto estavam as edições novas.

Liguei na Livraria Cultura, a pessoa me disse que estava esgotado na Cosac, ok. Perguntei se havia outras opções, ela me indicou da Editora 34, ‘porque as traduções são boas’.

Esse livro nunca foi publicado pela Editora 34.

Perguntei de outras, ela me respondeu ‘tem que ver se tem por encomenda’. E só.

Fui na Travessa, perguntei, ‘não tem nenhum, vai lançar da Companhia das Letras’. E fim. Liguei hoje e me disseram que tem o lançamento no Rio e chega ‘a qualquer momento’ aqui.

Fui na FNAC, perguntei, a pessoa sequer sabia do que eu estava falando. Ela vende livros e não conhece ‘Anna Kariênina’. Ok. E nem vem, a pessoa vende livros. Numa livraria. E não conhece um dos maiores clássicos da literatura mundial.

Liguei na Saraiva, me disseram ‘tem da Cosac por encomenda’. Já quase infartei. Achei melhor ser específica, disse que está esgotado, talvez ela pudesse ter, no máximo, um perdido no estoque. Ela refez a busca e, obviamente, não tinha por encomenda.

Por fim, liguei na Livraria Cultura para saber se o exemplar da Companhia das Letras já tinha lançado hoje, 07/07 (é a data de lançamento na internet). A pessoa me deixou esperando uma cara no telefone (se é lançamento deveria estar com mil exemplares na loja, em destaque, né?), voltou e disse que não tinha. Comentei ‘ia lançar hoje’, ela respondeu ‘ah vai lançar, é? ’. Achei que a vendedora de livros era você.

No fim das contas, estou lendo no Kindle uma versão piratex, porque não existe outra possibilidade. Essa é Ribeirão Preto, a capital da cultura.

E posso parecer amarga com as livrarias, mas hoje existe um hype de chamar vendedor de livro de ‘livreiro’, especialmente nas livrarias metidinhas, aka Travessa. Mas sinto informar, falta um infinito para essa galerinha chegar perto de um livreiro.

Livreiro sabe e conhece o que vende.

Essas pessoas não tem iniciativa, não tem empatia pelo cliente. Ninguém se aprofundou em nenhuma busca, ninguém foi ver quando a Companhia das Letras ia lançar, ninguém fez o menor esforço para me vender nada E EU QUERIA COMPRAR! Fui tratada em todas as lojas como se eu estivesse pedindo um favor ou o livro de graça ou como eu estivesse falando de algo totalmente obscuro.

E fiquei sem Anna K.

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TEXTÃO SOBRE 2016

2016 foi um ano duro.

Se fosse para resumir seria isso. 2015 já foi um ano difícil, enfrentei uma demissão e incertezas e 2016 já começou nesse climão.

Nesse ano tive que lidar com a falta de grana, precisei voltar a ter ajuda dos meus pais (não que isso seja um problema, ou vergonha, nunca tive vergonha disso, eu batalho pelos meus caminhos, mas às vezes a gente precisa de ajuda, só é chato) e tive bolsas de pesquisa negadas repetidas vezes.

Fui o último ou penúltimo lugar na lista de candidatos a bolsa da Unesp. Na Fapesp minha bolsa foi recusada duas vezes com a desculpa de ‘está ótimo, mas não temos grana’. Estava tudo um fiasco.

Motivação para estudar? Zero.

Motivação para meus projetos pessoais? Zero.

Larguei absolutamente tudo e vivi um semestre no limbo. Fazendo um pouco de tudo e de nada. Me dediquei ao canal, a literatura e a arrumar alguns artigos científicos que já estavam prontos. Trabalhei muito, sem render nada e com uma auto cobrança absurda.

É óbvio que a gente não pode se deixar abater, mas tem momentos em que não há força de vontade o suficiente. Foi simplesmente assim. Meus projetos de escrita foram todos abandonados, de finalista do ‘Brasil em prosa’ eu virei uma escritora amadora travada e sem ideias. Me pressionava para tentar, conseguia grandiosas porcarias, até que desisti de vez. Isso eu ainda não consegui retomar.

Com meu desânimo na área acadêmica, comecei a me dedicar mais ao canal. Surgiu o ‘Fala, Bibliotecária!’, que deu muito mais certo do que eu poderia imaginar, e assim comecei a me animar com outros caminhos. Na verdade 2016 é sobre esses outros caminhos. Deixei meu doutorado e todas as nóias, perturbações, ansiedades e pressões psicológicas referentes a ele um pouco bem pouco de lado e mergulhei na onda de uma bibliotecária no youtube. Deu certo.

As pessoas foram chegando, os convites, as parcerias e assim comecei a juntar tudo numa só coisa: a bibliotecária, do canal no youtube, que faz doutorado. Claro que ainda não está tudo bem, a bagunça é grande, mas pelo menos eu acho que sei por onde começar.

Com o canal e as portas que ele me ajudou a abrir, recuperei um pouco da minha autoestima e comecei a pensar que eu era capaz de fazer algo bacana, sim e resolvi tentar mais uma vez uma bolsa no doutorado.

O resumo é que consegui uma bolsa de pesquisa na Fundação Biblioteca Nacional, como segunda colocada em um processo seletivo onde o Brasil todo podia concorrer. Eram 32 candidatos para 4 bolsas, parece pouco, mas não é, o país tá ferrado e tá todo mundo matando cachorro a grito. Achei que nada mal para quem sempre foi lanterninha na Unesp (não vai ter modéstia).

E o fim é esse. Começou bem mal, mas está terminando melhor. Não fico tranquila porque sei que ainda vai ser difícil, mas acho que estou pegando o jeito. O balanço é um ano pesado, meio sofrido, cheio de crescimento, amadurecimento, trabalho de uma forma diferente do que eu imaginava e uma tatuagem, que ninguém é de ferro.

As promessas para 2017 eu faço em outro post.

Obrigada a todos que andaram comigo nessa jornada de crescimento que foi esse ano todo, as pessoas incríveis que me acompanham e que curtem meu trabalho com o Ultiminho e que sempre tiveram palavras de ajuda e motivação em meus desabafos. Parece bobo, mas vocês me deram sorrisos em muitos momentos amargos, obrigada!

#oultimojuro

:)

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