GAME OF TROXAS

Eu não gosto de me envolver com política. Não porque eu seja uma alienada, tonta, despolitizada, mas sim porque eu creio que não tenho conhecimento suficiente para dar bons argumentos ou acrescentar algo para alguém. Então prefiro me manter calada.

Gostaria que mais gente pensasse assim.

Apesar de achar que não tenho conhecimento suficiente, eu creio que estudei história o suficiente e sou uma pessoa razoável o suficiente, outras coisas que não estamos vendo por aí.

Meu ponto é: estou assustada com esse circo.

As pessoas estão defendendo lados sem argumentos. Baseados em ofensas e acusações, e creio que esse não é um bom método de discussão. Ando vendo muito revoltadinho de facebook se achando muito justiceiro e defensor da verdade absoluta e só usando seu teclado para falar asneira e xingamentos. É patético.

Sabe por que é patético?

Tudo isso não passa de um jogo de poder. Só o pessoal daqui ‘de baixo’ está escolhendo lados. Lá ‘em cima’ eles estão escolhendo vantagens. Entende?

Creio que esse é um ótimo momento para as pessoas lerem as distopias clássicas de que tenho falado tanto por aqui. Elas podem mostrar um pouco melhor o que estamos vivendo. ‘Ignorância é força’.

Um pequeno grupo no poder e brigando para aumentar seu poder (dinheiro também é poder). Um grande grupo, sem saber o que acontece no pequeno grupo, recebe informações distorcidas e acredita que deve defender fervorosamente X ou Y. Não parece muito certo, parece?

Acho que essas leituras podem ajudar as pessoas a perceberem o tamanho do papel de trouxa que estão fazendo. E eu não escolho lados, ok? É para todos mesmo.

E a solução?

A solução é um voto consciente, é pesquisar a vida de seu candidato antes de votar, é protestar sim, mas sabendo sobre o que você está falando, é se informar. Não adianta sair por aí como uma manada doida sem saber o que está fazendo.

#oultimojuro

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A DISTOPIA É AGORA

Terminei hoje ‘Admirável mundo novo’, o último livro que faltava para concluir a trilogia clássica distópica junto de ‘1984’ e ‘Fahrenheit 451’. Obviamente falarei de todos no canal, resenharei e falarei de semelhanças e diferenças. Mas enquanto isso eu resolvi vir aqui falar um pouco do que identifiquei e do que eu acho sobre todas essas histórias e nosso mundo.

Assim que terminei ‘Admirável mundo novo’ comecei a pensar nas semelhanças com nossa sociedade atual. Como nós vivemos em um mundo distópico e retrógrado sem sequer perceber e como não precisamos de nenhum estado totalitário para andarmos para trás e vivermos de mentiras.

Vou explicar.

Não estamos queimando livros, nem temos bombeiros que ateiam fogo. Mas na verdade estamos sim queimando livros com uma literatura cada vez mais fútil e superficial, onde o interesse vai para o mais fácil e o mais falado. Queimamos todos os dias obras geniais como essas três para dar lugar a distopias adolescentes, romances sofridos e histórias que não querem dizer absolutamente nada.

Não precisamos de um ‘Grande irmão’ para nos vigiar. A sociedade faz isso e cobra comportamentos X ou Y, quer saber se você namora, com quem namora e por que namora. Se você é feliz e por que você não está mostrando por aí o quanto é feliz. Assim como no universo de Huxley a vida é cada vez mais em comunidade e de aparências, você precisa ser feliz, você precisa estar feliz e você precisa mostrar como é feliz. Afinal qual o sentido de uma vida privada?

A solidão é cada vez mais estranha. Ninguém gosta de ficar só, de ficar em silêncio. Há televisões por toda parte enchendo os ambientes, os bares, os consultórios para o caso de o assunto acabar, ou para não deixar o ambiente quieto demais, vazio demais.

Os celulares e as redes sociais são nosso soma. Quer esquecer da vida? Fingir que nada está acontecendo? Fugir de tudo? Uma hora de facebook e sua alienação está feita. A internet é a nova droga, que consome, que distrai e que é acessível.

No meio disso tudo há poucos Winstons, poucos Montags, que sentem o desequilíbrio. O que há de sobra são Bernard Marxs, que se revoltam quando a situação favorece e quando a revolta diz respeito apenas a si mesmo. Quando as coisas não vão bem para o indivíduo, quando não há a atenção desejada ou os louros esperados. Ai há revolta e desconforto.

O que vemos de sobra também são diversas Mildreds, tontas, fúteis, superficiais. Que se importam única e exclusivamente com a aparência e a opinião alheia. Que dependem da aprovação externa para cada passo que será dado na vida.

Tudo isso coberto de uma fina camada de falsa opinião, de pseudo intelectualidade e interesse, afinal todo mundo é bom demais e todos precisamos nos ater aos problemas do último momento.

Não precisamos de um Grande Irmão, de castas de Alfas, Betas e Gamas, nem de bombeiros autoritários. A sociedade vai mal sozinha e anda criando as próprias proibições. Na verdade já vivemos no ‘Comunidade, identidade, estabilidade’ e ‘Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força’. Principalmente a parte do ‘ignorância é força’.

Como dizia Raul Seixas, ‘pena não ser burro, não sofria tanto’.

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A GUERRA DAS CAUSAS

Opa, vamos tirar o pó daqui, rsrs.

Tenho voltado para o blog quando me dá vontade de escrever sobre coisas que não cabem muito no facebook. Porque ninguém vai ler, porque ninguém dá importância pra textão e porque não gosto de ficar enchendo o saco dos outros com meu mimimi.

Enfim, claro que vim aqui falar sobre os recentes acontecimentos na França e em Minas. Mas não sobre o que aconteceu nesses lugares, mas sim sobre o que aconteceu com as pessoas assistindo a tudo isso.

De repente minha timeline virou ‘paz pela França’. Ok, entendo. Ai na virada da noite pro dia virou ‘ninguém liga pra Minas’ e agora tá acontecendo uma guerra entre Minas e França e, obviamente, tudo foi problematizado e a culpa é da Dilma.

No meio de tudo isso fico eu sem entender nada. É impressionante como as pessoas adoram pegar uma causa imediata e se agarrar a ela com toda força. Tudo isso pra que? Para na semana que vem ninguém mais se lembrar de nada e tudo o que vai restar vai ser a foto no álbum ‘fotos do perfil’ com a bandeira da França, junto de mais outras mil selfies bonitinhas.

‘Nossa Gabriela, que fatalista, insensível’. Talvez sim, mas sabe o que eu acho? Acho tudo isso uma puta hipocrisia. Na hora de se solidarizar por uma grande causa imediata, todo mundo é a melhor pessoa do mundo. Tudo mundo pede paz mundial. E fora isso? E no seu dia a dia? O que você está fazendo pelo outro?

Entende o que eu quero dizer?

No facebook todo mundo é muito adulto humano, mas e na vida real? Ontem fui ao shopping e uma linda donzela quase encheu a lata do meu carro porque viu uma vaga e não quis parar no imenso PARE que tinha pra ela. Ela queria ir mais rápido que eu para pegar a vaga e eu que me foda. O PARE para ela que se foda. O respeito pelo próximo que se foda. Eu quero aquela vaga e fim. Eu primeiro o mundo depois.

Adiantou sabe o que? NADA. Eu buzinei passei de boas e a vaga era para idosos. Se fodeu bonitinha.

Mas isso é apenas um exemplo. Eu tenho mil outros. A verdade é que é muito fácil mudar a foto do perfil para uma bandeira e ‘eu peço paz’ e não pensar em ninguém além de si no dia a dia.

Claro que as grandes causas existem e nós devemos ajudar no que for possível, nem que seja apenas mostrando que sentimos muito. Mas antes de pedir paz pense sobre o que você faz pela pequena paz ao seu redor.

Quando aprendermos a pensar no próximo como se fosse nós, quando não fizermos para o outro o que não desejamos para nós, quando aprendermos a ter educação e respeito mínimo, aí quem sabe. Talvez assim o mundo comece a melhorar e os acontecimentos graves que precisam da nossa atenção não virem uma guerra de vaidades (minha causa é mais urgente que a sua) e ibope.

Até lá, não vá ao shopping na época de Natal.

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